Ir direto ao conteúdo
Dr. Henrique Dircksen Melo Neurologista Agendar consulta

Neurodesenvolvimento

Transtorno do Espectro Autista

Avaliação diagnóstica em crianças e em adultos, com instrumentos estruturados e tempo de escuta. Em Florianópolis, com neurologista pós-graduado em Transtornos do Neurodesenvolvimento.

O que é o autismo

O Transtorno do Espectro Autista é uma condição do neurodesenvolvimento: o cérebro se organiza de um jeito diferente desde cedo, e isso se expressa principalmente em duas frentes — a comunicação social e um padrão de interesses e comportamentos mais restrito e repetitivo.

A palavra espectro é a parte mais importante do nome e a mais mal compreendida. Ela não descreve uma régua de "pouco autista" a "muito autista". Descreve combinações muito diferentes de características, com necessidades de apoio muito diferentes. Um adulto que trabalha, dirige e mora sozinho e uma criança que ainda não fala podem ter o mesmo diagnóstico — e realidades quase incomparáveis.

Autismo não é doença a ser curada, e não é consequência de criação, de tela, de vacina ou de falta de afeto. É uma forma de funcionamento neurológico. O que o diagnóstico oferece não é um rótulo: é um mapa. Ele explica dificuldades que pareciam inexplicáveis e abre a porta para os apoios certos, para direitos legais e — no caso dos adultos — muitas vezes para um enorme alívio.

Sinais que costumam levar à avaliação

Na criança

  • Atraso na fala, ou fala que apareceu e depois regrediu
  • Pouco contato visual, ou dificuldade em sustentá-lo durante a interação
  • Não apontar para mostrar coisas, não seguir o apontar do adulto
  • Não responder ao próprio nome, ainda que a audição esteja normal
  • Brincar de forma repetitiva — enfileirar, girar, examinar partes do brinquedo
  • Movimentos repetitivos com as mãos ou o corpo, sobretudo em momentos de excitação
  • Reação intensa a barulho, textura, luz, cheiro, sabor ou etiqueta de roupa
  • Sofrimento marcado com mudanças de rotina ou de trajeto
  • Interesses muito intensos e específicos para a idade
  • Dificuldade de brincar junto com outras crianças, mesmo querendo

No adolescente e no adulto

Aqui o quadro é outro. Muitos chegaram à vida adulta desenvolvendo estratégias para parecer "como todo mundo" — o que a literatura chama de camuflagem. Isso funciona por um tempo, e cobra um preço em exaustão.

  • Sensação persistente, desde a infância, de estar "fora de sintonia" com as pessoas
  • Esgotamento depois de eventos sociais que os outros descrevem como divertidos
  • Dificuldade com conversa informal, com ironia, com subentendidos
  • Necessidade forte de rotina, de previsibilidade e de planejar com antecedência
  • Interesses profundos que ocupam grande parte do tempo e da energia
  • Sensibilidade sensorial que atrapalha — restaurante barulhento, luz fluorescente, tecido
  • Histórico de ansiedade, depressão ou burnout que melhorou só em parte com tratamento
  • Um filho recém-diagnosticado, e o reconhecimento de si mesmo na descrição

Nenhum item dessa lista, sozinho, significa autismo. Todos aparecem em pessoas não autistas. O que define o diagnóstico é o conjunto, a intensidade, a presença desde o início do desenvolvimento e o quanto isso impacta a vida — e essa leitura é clínica.

Como é a avaliação no consultório

Não existe exame de sangue nem de imagem que diagnostique autismo. O diagnóstico é clínico, construído com método, e costuma tomar mais de uma consulta.

  1. 01

    História do desenvolvimento

    Gestação, parto, primeiros anos, marcos da fala e do andar, escola, relações. Para crianças, os pais contam. Para adultos, o que a pessoa lembra e, quando possível, o que a família confirma — fotos, boletins e cadernetas antigas ajudam mais do que parece.

  2. 02

    Observação e exame

    Observação clínica da comunicação e do comportamento, e exame neurológico completo — que serve inclusive para afastar outras condições que podem se parecer com autismo.

  3. 03

    Instrumentos estruturados

    Aplico escalas e questionários validados para o rastreio e o apoio ao diagnóstico. Eles não decidem sozinhos, mas organizam a informação e tornam a avaliação comparável e revisável.

  4. 04

    Investigação complementar, quando indicada

    Avaliação de audição, exames laboratoriais, genética ou eletroencefalograma podem ser pedidos conforme o caso. Não são rotina para todo mundo — são pedidos quando mudam a conduta.

  5. 05

    Devolutiva e plano

    Uma conversa dedicada a explicar a conclusão, o que ela significa na prática, quais apoios fazem sentido agora e quais direitos existem. Com laudo por escrito quando for necessário para escola, trabalho, plano de saúde ou benefício.

E depois do diagnóstico

O tratamento do autismo não é medicamentoso — o eixo são as terapias de desenvolvimento, escolhidas conforme a idade e a necessidade: fonoaudiologia, terapia ocupacional com integração sensorial, psicologia, psicopedagogia, apoio escolar. O meu papel é indicar o que faz sentido, articular a rede e acompanhar ao longo do tempo.

Medicação entra quando existe algo específico a tratar — ansiedade importante, alteração de sono, irritabilidade que causa sofrimento, TDAH associado (o que é bastante comum). Ela trata esses sintomas, não o autismo em si, e isso precisa estar claro desde o começo.

Para o adulto que recebe o diagnóstico tardiamente, boa parte do valor está na ressignificação: entender que aquilo não era preguiça, frescura, falta de esforço ou defeito de caráter. Muita gente descreve esse momento como o dia em que a própria história finalmente fez sentido.

Sobre diagnóstico precoce. Quanto antes o apoio começa, melhor tende a ser o aproveitamento das terapias na primeira infância. Mas nunca é tarde: avaliar aos 6, aos 15 ou aos 45 anos muda a vida de quem é avaliado. A idade não é motivo para desistir da resposta.

Dúvidas frequentes

Sobre a avaliação de autismo

Neurologista pode diagnosticar autismo?

Pode. O diagnóstico de TEA é clínico e pode ser feito por médico com formação adequada — neurologista, psiquiatra ou pediatra com capacitação em neurodesenvolvimento. No meu caso, além da residência em Neurologia, tenho pós-graduação específica em Transtornos do Neurodesenvolvimento. A avaliação frequentemente se soma à de outros profissionais, e essa leitura conjunta costuma deixar o diagnóstico mais sólido.

Meu filho fala bem. Ainda assim pode ser autismo?

Pode. Ausência de fala é apenas uma das apresentações possíveis. Muitas crianças autistas falam cedo, têm vocabulário amplo e ainda assim apresentam dificuldade importante na comunicação social — em usar a fala para interagir, em entender o não dito, em sustentar uma conversa de mão dupla.

Quantas consultas leva para chegar ao diagnóstico?

Varia com o caso. Alguns quadros ficam claros na primeira avaliação; outros pedem uma segunda ou terceira consulta, aplicação de instrumentos, informações da escola e às vezes avaliação de outros profissionais. Prefiro levar o tempo necessário a entregar uma conclusão apressada sobre algo que acompanha a pessoa pela vida inteira.

O laudo serve para escola, trabalho e direitos?

Sim. Quando o diagnóstico se confirma, emito o relatório médico com a fundamentação e o código diagnóstico, que é o documento usado para solicitar adaptações escolares, acompanhante especializado, cobertura de terapias pelo plano de saúde e os direitos previstos na Lei 12.764/2012, que instituiu a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista.

Sou adulto e nunca fui avaliado. Vale a pena agora?

Vale, e essa é hoje uma parte crescente do consultório. O diagnóstico no adulto costuma reorganizar a compreensão da própria história, orientar ajustes concretos de trabalho e de rotina, e direcionar melhor o tratamento de quadros associados, como ansiedade e depressão, que muitas vezes vinham sendo tratados isoladamente.

Precisa trazer alguma coisa na consulta?

Ajuda muito: relatórios da escola, avaliações de outros profissionais, exames anteriores e a caderneta de vacinação e desenvolvimento, no caso de crianças. Vídeos curtos do dia a dia — brincando, em casa, em momentos de desregulação — costumam mostrar o que não aparece no consultório. Para adultos, lembranças da infância e a presença de alguém da família que possa contribuir são bem-vindas.

Vamos conversar

O primeiro passo é marcar a consulta.

Se algum sintoma está preocupando você ou alguém da sua família, não precisa carregar isso sozinho. Me mande uma mensagem contando o que está acontecendo — a secretaria responde, esclarece as dúvidas sobre o atendimento e encontra o melhor horário para você.

Dr. Henrique Dircksen Melo — Neurologista  ·  CRM-SC 20098  ·  RQE 17471  ·  Secretaria: segunda a sexta, das 8h às 18h

Agendar consulta