Cefaleia tensional
Dor em aperto ou peso, dos dois lados, de intensidade leve a moderada, sem náusea e sem piora com esforço. É a mais comum de todas — e frequentemente convive com a enxaqueca na mesma pessoa.
Cefaleias
Dor de cabeça frequente tem diagnóstico e tem tratamento. Conviver com ela por anos, tomando analgésico atrás de analgésico, não deveria ser o plano.
A enxaqueca — ou migrânea — é uma doença neurológica própria, com mecanismo definido, e não uma versão intensificada da dor de cabeça comum. Ela envolve uma alteração na forma como o cérebro processa estímulos, com participação do sistema trigeminovascular e de substâncias como o CGRP. É por isso que a crise vem acompanhada de tanta coisa além da dor.
É também uma das principais causas de anos vividos com incapacidade no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde. Ainda assim, segue tratada socialmente como um incômodo menor — o que faz muita gente demorar anos até procurar avaliação.
A enxaqueca começa antes da dor. Muita gente tem sinais premonitórios horas ou até um dia antes: bocejos repetidos, desejo por doce, irritabilidade, rigidez no pescoço, sensibilidade a cheiros. Reconhecer esses sinais permite agir mais cedo — e quanto mais cedo a crise é tratada, melhor a resposta.
Dor em aperto ou peso, dos dois lados, de intensidade leve a moderada, sem náusea e sem piora com esforço. É a mais comum de todas — e frequentemente convive com a enxaqueca na mesma pessoa.
Dor muito intensa ao redor de um olho, em crises curtas que se repetem em períodos, com olho vermelho e lacrimejamento do mesmo lado. Rara, e frequentemente confundida com sinusite por anos.
Quando o analgésico usado com muita frequência passa a manter a dor. Um dos motivos mais comuns de uma enxaqueca episódica virar diária — e tem tratamento.
Dor causada por outra condição — pressão, sinusite, problema na coluna cervical, alteração na visão ou causas mais raras e graves. Parte do trabalho da consulta é justamente afastar essas possibilidades.
Procure atendimento de urgência se a dor de cabeça:
Em emergência, procure um pronto-socorro ou ligue 192 (SAMU).
O diagnóstico das cefaleias primárias é clínico e se baseia em critérios internacionais bem estabelecidos. Uma história bem colhida vale mais que uma ressonância — e é ela que define se algum exame é realmente necessário.
Na consulta, investigamos o padrão completo: como a dor começou, onde dói, como dói, quanto dura, o que melhora, o que piora, o que vem junto, quantos dias por mês, quantos analgésicos por mês, o que já foi tentado e o que aconteceu. Exame neurológico completo faz parte. Exames de imagem são pedidos quando há sinal de alerta ou quando a apresentação foge do esperado — não como rotina.
O diário de dor de cabeça é o melhor exame que existe. Anotar por algumas semanas os dias com dor, a intensidade, os remédios usados e o que estava acontecendo revela padrões que a memória apaga. Se puder começar antes da consulta, a primeira avaliação já sai muito mais precisa.
O objetivo é fazer a dor passar rápido e devolver o dia. Envolve a escolha do medicamento certo para o seu caso, na dose certa e — decisivo — tomado cedo, no começo da crise. Também tratamos os sintomas associados, como a náusea, que muitas vezes é o que mais incapacita.
Indicado quando as crises são frequentes, muito incapacitantes ou quando o tratamento da crise não funciona bem. O objetivo não é zerar a dor: é reduzir a frequência e a intensidade a um patamar em que a enxaqueca deixa de comandar a agenda. Existem várias classes de medicamento preventivo, com escolha guiada pelo perfil de cada paciente e por outras condições de saúde.
O preventivo precisa de paciência: costuma levar algumas semanas para mostrar efeito, e a dose é ajustada ao longo do acompanhamento. Abandonar no primeiro mês é o erro mais comum — e o mais evitável.
Uma conta que vale fazer. Se você usa analgésico para dor de cabeça em dez dias ou mais por mês, de forma regular, existe risco concreto de a própria medicação estar sustentando a dor. Vale conversar sobre isso na consulta — a saída existe, mas raramente acontece sozinha.
Dúvidas frequentes
Na maioria dos casos de enxaqueca típica, com exame neurológico normal e sem sinais de alerta, não. O exame é indicado quando há algo que fuja do padrão esperado. Pedir imagem para todo mundo não aumenta a segurança: aumenta o custo, a espera e a chance de encontrar achados sem significado que geram ansiedade desnecessária.
Enxaqueca é uma condição crônica, com forte componente genético, e o objetivo do tratamento é o controle — não a promessa de cura. Dito isso, controle bem-feito muda radicalmente a vida de quem tem crises frequentes: muita gente sai de quinze dias de dor por mês para dois ou três. A frequência também costuma variar ao longo da vida.
Tem, e é mais comum do que se imagina. Na criança as crises costumam ser mais curtas, com frequência dos dois lados da cabeça, e a náusea e a dor abdominal podem dominar o quadro. Dor de cabeça recorrente que faz a criança faltar à escola ou parar de brincar merece avaliação.
A aura em si é um fenômeno transitório e reversível. Ela precisa ser bem caracterizada, porque alguns sintomas neurológicos passageiros exigem investigação diferente. E a presença de aura influencia decisões práticas — por exemplo, a escolha de métodos contraceptivos hormonais. Vale sempre mencionar na consulta.
Às vezes sim, às vezes não — e o assunto é mais sutil do que a lista pronta que circula por aí. O desejo por doce, por exemplo, pode ser um sintoma da fase que antecede a crise, e não a causa dela: a pessoa come chocolate porque a enxaqueca já começou. Por isso o diário é tão útil: ele separa o gatilho real da coincidência.
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Os sinais que merecem avaliação e os que pedem urgência.
Ler artigoMemória, movimento, epilepsia, esclerose múltipla e Neurologia geral.
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Dr. Henrique Dircksen Melo — Neurologista · CRM-SC 20098 · RQE 17471 · Secretaria: segunda a sexta, das 8h às 18h