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Dr. Henrique Dircksen Melo Neurologista Agendar consulta

Cefaleias

Enxaqueca e dores de cabeça

Dor de cabeça frequente tem diagnóstico e tem tratamento. Conviver com ela por anos, tomando analgésico atrás de analgésico, não deveria ser o plano.

Enxaqueca não é "dor de cabeça forte"

A enxaqueca — ou migrânea — é uma doença neurológica própria, com mecanismo definido, e não uma versão intensificada da dor de cabeça comum. Ela envolve uma alteração na forma como o cérebro processa estímulos, com participação do sistema trigeminovascular e de substâncias como o CGRP. É por isso que a crise vem acompanhada de tanta coisa além da dor.

É também uma das principais causas de anos vividos com incapacidade no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde. Ainda assim, segue tratada socialmente como um incômodo menor — o que faz muita gente demorar anos até procurar avaliação.

Como a crise costuma se apresentar

  • Dor pulsátil, frequentemente de um lado da cabeça (mas pode ser dos dois)
  • Intensidade moderada a forte, que piora com esforço físico
  • Náusea, às vezes vômito
  • Incômodo com luz, com som e, muitas vezes, com cheiro
  • Necessidade de ficar em um quarto escuro e silencioso
  • Duração de 4 a 72 horas quando não tratada
  • Em parte dos casos, aura: alterações visuais, formigamento ou dificuldade momentânea de falar, geralmente antes da dor
  • Depois da crise, uma sensação de ressaca mental que pode durar mais um dia

A enxaqueca começa antes da dor. Muita gente tem sinais premonitórios horas ou até um dia antes: bocejos repetidos, desejo por doce, irritabilidade, rigidez no pescoço, sensibilidade a cheiros. Reconhecer esses sinais permite agir mais cedo — e quanto mais cedo a crise é tratada, melhor a resposta.

Outras dores de cabeça que aparecem no consultório

Cefaleia tensional

Dor em aperto ou peso, dos dois lados, de intensidade leve a moderada, sem náusea e sem piora com esforço. É a mais comum de todas — e frequentemente convive com a enxaqueca na mesma pessoa.

Cefaleia em salvas

Dor muito intensa ao redor de um olho, em crises curtas que se repetem em períodos, com olho vermelho e lacrimejamento do mesmo lado. Rara, e frequentemente confundida com sinusite por anos.

Cefaleia por uso excessivo de medicação

Quando o analgésico usado com muita frequência passa a manter a dor. Um dos motivos mais comuns de uma enxaqueca episódica virar diária — e tem tratamento.

Cefaleias secundárias

Dor causada por outra condição — pressão, sinusite, problema na coluna cervical, alteração na visão ou causas mais raras e graves. Parte do trabalho da consulta é justamente afastar essas possibilidades.

Quando a dor de cabeça precisa de avaliação urgente

Procure atendimento de urgência se a dor de cabeça:

  • For súbita e atingir a intensidade máxima em segundos — a chamada "pior dor da vida"
  • Vier acompanhada de febre e rigidez de nuca
  • Vier com fraqueza, dormência de um lado do corpo, dificuldade de falar ou de enxergar
  • Começar depois dos 50 anos, sem histórico prévio de dor de cabeça
  • Piorar de forma progressiva ao longo de dias ou semanas
  • Acordar você à noite, ou piorar ao tossir, ao se abaixar ou ao fazer força
  • Surgir após um trauma na cabeça

Em emergência, procure um pronto-socorro ou ligue 192 (SAMU).

Como é a avaliação

O diagnóstico das cefaleias primárias é clínico e se baseia em critérios internacionais bem estabelecidos. Uma história bem colhida vale mais que uma ressonância — e é ela que define se algum exame é realmente necessário.

Na consulta, investigamos o padrão completo: como a dor começou, onde dói, como dói, quanto dura, o que melhora, o que piora, o que vem junto, quantos dias por mês, quantos analgésicos por mês, o que já foi tentado e o que aconteceu. Exame neurológico completo faz parte. Exames de imagem são pedidos quando há sinal de alerta ou quando a apresentação foge do esperado — não como rotina.

O diário de dor de cabeça é o melhor exame que existe. Anotar por algumas semanas os dias com dor, a intensidade, os remédios usados e o que estava acontecendo revela padrões que a memória apaga. Se puder começar antes da consulta, a primeira avaliação já sai muito mais precisa.

Tratamento

Tratamento da crise

O objetivo é fazer a dor passar rápido e devolver o dia. Envolve a escolha do medicamento certo para o seu caso, na dose certa e — decisivo — tomado cedo, no começo da crise. Também tratamos os sintomas associados, como a náusea, que muitas vezes é o que mais incapacita.

Tratamento preventivo

Indicado quando as crises são frequentes, muito incapacitantes ou quando o tratamento da crise não funciona bem. O objetivo não é zerar a dor: é reduzir a frequência e a intensidade a um patamar em que a enxaqueca deixa de comandar a agenda. Existem várias classes de medicamento preventivo, com escolha guiada pelo perfil de cada paciente e por outras condições de saúde.

O preventivo precisa de paciência: costuma levar algumas semanas para mostrar efeito, e a dose é ajustada ao longo do acompanhamento. Abandonar no primeiro mês é o erro mais comum — e o mais evitável.

O que não é remédio, e ainda assim funciona

  • Sono regular, com horário estável inclusive no fim de semana
  • Refeições em intervalos regulares — jejum prolongado é gatilho clássico
  • Hidratação adequada
  • Atividade física aeróbica regular, com efeito preventivo demonstrado
  • Manejo do estresse, incluindo a "enxaqueca de fim de semana", que vem no relaxamento
  • Identificar os seus gatilhos reais — que são individuais e nem sempre os famosos
  • Reduzir o uso de analgésicos de forma orientada, quando estiver excessivo

Uma conta que vale fazer. Se você usa analgésico para dor de cabeça em dez dias ou mais por mês, de forma regular, existe risco concreto de a própria medicação estar sustentando a dor. Vale conversar sobre isso na consulta — a saída existe, mas raramente acontece sozinha.

Dúvidas frequentes

Sobre enxaqueca

Preciso fazer ressonância magnética?

Na maioria dos casos de enxaqueca típica, com exame neurológico normal e sem sinais de alerta, não. O exame é indicado quando há algo que fuja do padrão esperado. Pedir imagem para todo mundo não aumenta a segurança: aumenta o custo, a espera e a chance de encontrar achados sem significado que geram ansiedade desnecessária.

Enxaqueca tem cura?

Enxaqueca é uma condição crônica, com forte componente genético, e o objetivo do tratamento é o controle — não a promessa de cura. Dito isso, controle bem-feito muda radicalmente a vida de quem tem crises frequentes: muita gente sai de quinze dias de dor por mês para dois ou três. A frequência também costuma variar ao longo da vida.

Criança tem enxaqueca?

Tem, e é mais comum do que se imagina. Na criança as crises costumam ser mais curtas, com frequência dos dois lados da cabeça, e a náusea e a dor abdominal podem dominar o quadro. Dor de cabeça recorrente que faz a criança faltar à escola ou parar de brincar merece avaliação.

A aura é perigosa?

A aura em si é um fenômeno transitório e reversível. Ela precisa ser bem caracterizada, porque alguns sintomas neurológicos passageiros exigem investigação diferente. E a presença de aura influencia decisões práticas — por exemplo, a escolha de métodos contraceptivos hormonais. Vale sempre mencionar na consulta.

Chocolate, vinho e queijo causam enxaqueca?

Às vezes sim, às vezes não — e o assunto é mais sutil do que a lista pronta que circula por aí. O desejo por doce, por exemplo, pode ser um sintoma da fase que antecede a crise, e não a causa dela: a pessoa come chocolate porque a enxaqueca já começou. Por isso o diário é tão útil: ele separa o gatilho real da coincidência.

Vamos conversar

O primeiro passo é marcar a consulta.

Se algum sintoma está preocupando você ou alguém da sua família, não precisa carregar isso sozinho. Me mande uma mensagem contando o que está acontecendo — a secretaria responde, esclarece as dúvidas sobre o atendimento e encontra o melhor horário para você.

Dr. Henrique Dircksen Melo — Neurologista  ·  CRM-SC 20098  ·  RQE 17471  ·  Secretaria: segunda a sexta, das 8h às 18h

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